quarta-feira, 1 de julho de 2009

Daniel Alves brilha em festa promovida pelo Bahia



A imprensa e muitos torcedores estavam reunidos na noite desta terça-feira, 30, para ouvir o anúncio das novidades do marketing do Bahia, mas veio de um passado não tão distante a estrela que roubou a cena. O lateral-direito Daniel Alves (baiano de Juazeiro) prestigiou o evento do clube que o revelou e fez a festa da torcida. Entre pedidos para tirar fotos e dar autógrafos, o camisa 13 da Seleção campeã da Copa das Confederações prometia voltar um dia ao tricolor.


Sobre as declarações constantes de que gostaria de voltar ao Brasil um dia para jogar no São Paulo, Daniel comentou. “A minha vontade é acabar a carreira no Bahia, eu sempre falo que gostaria de jogar no São Paulo antes porque era o time que eu torcia desde criança, mas não tem porque os tricolores ficarem tristes porque essa é a minha casa”.


O lateral que deixou o Fazendão rumo à Europa em 2003, após o título mundial com a Seleção sub-20, diz que acompanha o Bahia mesmo da Espanha. “Hoje, com a facilidade da internet, a gente sempre procura acompanhar o clube e ajudar no que for possível. O Bahia é tão grande que não pode estar na segunda divisão. Torço para que em um futuro próximo ele possa retornar à Série A”, disse.


Daniel falou também sobre o título da Copa das Confederações, na qual ele foi decisivo ao fazer o gol da classificação para a final, contra a África do Sul. “Os espanhóis chegaram como favoritos, mas quando tem o Brasil não podem colocar outra seleção como favorita. Só que acabou ganhando quem ninguém acreditava. E acho que a na Seleção tem que ser sempre assim. Chegar para surpreender”.


Novidades – Além de Daniel, outros ex-jogadores do clube estiveram presentes para prestigiar o anúncio de várias novidades do marketing tricolor, como a criação da loja oficial e o lançamento das novas camisas. O padrão reserva sofreu mais mudanças e ficou mais parecido com o do Barcelona, do lateral Daniel. Até o diretor de futebol, Paulo Carneiro, ex-presidente do Vitória, vestiu o novo manto tricolor.


O clube anunciou também o filme Bahia Minha Vida, que conta a história do clube, assim como a peça teatral A Voz do Campeão, que estreia no dia 18 de setembro. O presidente Marcelo Guimarães Filho falou ainda sobre o Bora Bahêa, programa de sócio-torcedor que deve dar direito a voto para a presidência, em 2011. E acesso à TV Bahêa e ao Alô Bahêa. Ele negou que o clube tenha pensado em substituir o seu tradicional escudo.

ESPORT CLUBE BAHIA






Alguém está ficando doido nas altas hostes tricolores. Pois que só pode ser coisa de doido pretender mexer no escudo do Bahia, seja para “incorporar novos conceitos e elementos de modernidade”, seja para o que for. Trata-se, a rigor, de uma insanidade sem tamanho, de um verdadeiro desrespeito querer fazer qualquer modificação no escudo do clube, no maior símbolo da sua tradição.

Diz a nota publicada no site oficial do clube que tal decisão foi tomada “após pesquisa entre diversos grupos de torcedores”. Sou torcedor daqueles que comparece a todos os jogos do time e desconheço tal pesquisa. Não só eu desconheço, como não conheço ninguém que conheça. Que pesquisa foi essa, ó turma do site oficial do Bahia? Deixem isso mais claro, para não parecer que vocês estão querendo enrolar os torcedores.

Cumpre observar que sou membro do Conselho Consultivo do Bahia e não fui consultado sobre a questão. Segundo soube, nem eu nem ninguém. Um assunto dessa gravidade, na verdade, deveria envolver Conselho Deliberativo, Conselho Consultivo, Assembléia Geral, torcida, todo mundo. Ora bolas, ninguém de bom senso cogitaria, em nenhum clube do mundo, mudar seu escudo, ou modernizar, se assim quiserem.

Que história é essa de dar tremidinha na bandeira? Ou de substituir a bandeirinha que havia dentro da bandeira do clube pelo símbolo existente na bandeira do Estado da Bahia? Quem autorizou tal asneira? Que conversa é essa de tirar o mastro da bandeira “por razões de aplicação gráfica”? Cá para nós, razões de aplicação gráfica é o cacete. Durante mais de 70 anos aquele mastro ali nunca atrapalhou aplicação gráfica alguma, ninguém nunca reclamou. Batam-me um abacate. Não existem razões que justifiquem mudar o escudo de um clube. Principalmente quando se trata do Esporte Clube Bahia, bi-campeão brasileiro, não do Arranca Toco Futebol Clube ou de um campeão de uma Copa da Uva qualquer. O escudo de um clube é sagrado. Quem conhecer algum que tenha mudado o seu, por favor me avise. Eu não conheço.

Quanto ao Conselho Consultivo, é uma história curiosa. Inicialmente, cabe reconhecer o caráter democrático dessa iniciativa da atual diretoria do Bahia. É uma bela idéia que, por isso mesmo, tem que ter consequência prática. Esse seria um bom momento para mobilizar o novo colegiado recém-criado, no sentido de discutir tão estapafúrdia idéia. Se houve alguma consulta nesse sentido, ignoro. Eu, aliás, fiquei imensamente honrado com a indicação do meu nome para o Conselho Consultivo. Vi no site do Bahia, mas, curiosamente, nunca fui sequer contactado por ninguém do clube, até para saber qual vai ser a função dos conselheiros. Não tenho qualquer dúvida das boas intenções da nova diretoria do Bahia, mas é preciso que os bons projetos comecem a traduzir-se em ações efetivas.

E por falar em gestão – pois que só disso se trata transformar projetos em ações -, vale a pena ler a entrevista do novo técnico do Milan, o brasileiro Leonardo Araújo, à revista Veja desta semana. Antes de ser técnico, Leonardo foi jogador durante sete anos e executivo do clube de Milão durante seis anos. Para ele, o futebol brasileiro está fora do mercado e a atual estrutura não funciona. Ele observa que nenhum clube no Brasil planeja seu futuro e vê como única saída a transformação de todos os clubes em empresas de verdade: “Hoje, o Flamengo dá prejuízo e nada acontece. Mas, se alguém tiver que pagar a conta, a situação pode mudar e talvez o clube passe a ser lucrativo”.

Leonardo chama a atenção para a importância das marcas e lembra que as fontes de renda de um clube são licenciamentos de marca, merchandising, venda de ingressos e direitos de transmissão dos jogos: “Se o clube melhorar sua gestão, tudo isso vai sair mais caro e render muito mais. Grandes empresas vão bater à sua porta para patrociná-lo, como fazem com o Milan”.

Pois é, modernizar um clube de futebol é isso de que falou o Leonardo. Não promover mudanças moderninhas no maior símbolo do clube, o seu escudo.

Renato Pinheiro, 55 anos, é jornalista e publicitário da área de marketing político